Por Ana Menezes
O advogado e professor Marcelo Godke, especialista em Direito Empresarial, foi um dos speakers convidados do VII Brazil Legal Symposium, realizado em abril de 2026 na Harvard Law School, nos Estados Unidos, onde apresentou estudo sobre o déficit de financiamento das pequenas e médias empresas no Brasil.
A exposição, intitulada “The SME Financing Gap in Brazil”, analisou por que o crédito no país permanece estruturalmente mal distribuído. Segundo o material apresentado, as PMEs somam 22,6 milhões de empresas, representam 94,9% das firmas brasileiras, respondem por 27% do PIB e concentram 41% da folha de pagamentos, mas participam de apenas cerca de 1% das exportações.
Na avaliação de Marcelo Godke, o paradoxo brasileiro é claro: as PMEs são economicamente centrais, mas continuam financeiramente periféricas. O estudo aponta que o sistema de crédito nacional permanece concentrado em bancos, com quatro grandes instituições reunindo 55,3% dos ativos, 57,9% dos depósitos e 57,8% das operações de crédito.
O levantamento também mostra que o custo do dinheiro segue elevado. A taxa média anual de juros bancários chegou a 31,4% em 2025, com algumas linhas empresariais em patamares ainda mais altos. Para empresas menores, esse cenário reduz a disposição de buscar financiamento e reforça um ciclo de exclusão antes mesmo da concessão do empréstimo.
Pelo método apresentado por Marcelo Godke, o déficit de financiamento das PMEs foi estimado a partir da diferença entre o crédito efetivamente recebido pelo segmento e o volume proporcional que corresponderia ao seu peso no PIB. Em 2024, o crédito total para pessoas jurídicas foi de R$ 3,69 trilhões; as PMEs receberam R$ 690,7 bilhões, enquanto o patamar proporcional seria de R$ 997,2 bilhões. A diferença resultou em um gap de R$ 306,6 bilhões.
A pesquisa mostra ainda que, embora o déficit relativo tenha caído em relação ao pico de 2017, quando chegou a 95,7%, o problema permanece severo. Em 2024, o gap ainda era de 44,4%, com valor absoluto superior ao registrado em 2014.
Na dimensão jurídica e regulatória, Marcelo Godke destacou que reformas como fintechs de crédito, Cadastro Positivo, Pix, sandbox regulatório e Open Finance aumentaram a competição e reduziram fricções, mas ainda não foram suficientes para realocar crédito às PMEs em proporção à sua relevância econômica.
A conclusão do estudo é direta: as pequenas e médias empresas não precisam de crédito privilegiado, mas de acesso proporcional. Para isso, Marcelo Godke defende aprofundamento da competição bancária, expansão de garantias, melhoria da previsibilidade jurídica, fortalecimento da recuperação de crédito e ampliação de canais não bancários de financiamento.
A participação de Marcelo Godke em Harvard reforça sua atuação como referência em Direito Empresarial, mercado financeiro, regulação e desenvolvimento econômico. Para a Belavista, onde integra o corpo docente, a presença do advogado em um dos principais centros acadêmicos do mundo confirma a importância de uma formação jurídica conectada à economia real, à prática empresarial e aos grandes debates internacionais.













